Grupo Tiradentes investe em centro de excelência jurídica no Recife

Após obras de revitalização, prédio histórico passa a funcionar como campus da Faculdade Integrada de Pernambuco

Em expansão, a Faculdade Integrada de Pernambuco – Facipe ganha uma nova unidade, voltada para o curso de Direito, que vai funcionar no prédio quase secular que abrigou o Colégio Nossa Senhora do Carmo, no bairro da Boa Vista, no Recife.

Com investimento de R$ 5 milhões, o Grupo Educacional Tiradentes, restaurou a construção, que estava sem uso desde 2011, quando a escola fechou as portas. “O maior objetivo da reforma foi respeitar o patrimônio e o acervo histórico de um prédio quase centenário, proporcionando um novo uso para a edificação e entregando-a novamente à sociedade, assim como, possibilitar uma infraestrutura mais adequada à formação dos estudantes”, salienta o diretor-geral da Facipe, Gilton Kennedy. A graduação antes ficava sediada na Rua Lins Petit, junto com os cursos de Engenharia e Arquitetura. “A instituição está em pleno processo de expansão, e isso nos fez escolher o bairro da Boa Vista para estruturar um polo de atendimentos jurídicos à população. Por isso, o prédio do Nossa Sra. do Carmo, além de histórico e apaixonante, é estratégico no objetivo de ofertar serviços, formação educacional, em um futuro bem próximo, novos cursos superiores”.

Ainda segundo o professor Kennedy, a escolha pelo prédio se deu pela proximidade com duas das principais vias do Recife, como a Agamenon Magalhães e Conde da Boa Vista, facilitando o acesso de pessoas que buscarão os serviços jurídicos gratuitos ofertados - além de atender aos 700 estudantes de Direito da Facipe com 26 salas de aula, o lugar vai contar com uma Câmara de Conciliação e Arbitragem, e unidades do Procon Estadual e Defensoria Pública – que será uma das primeiras de Pernambuco a funcionar em uma instituição de ensino superior -, visando atender à população do entorno. “Temos o Procon mais ágil do Estado, com casos resolvidos em até uma semana. Buscamos oferecer os serviços jurídicos, como divórcio e pensão alimentícia, com excelência e celeridade, sempre gratuitamente”, garante a responsável pelo Núcleo de Práticas Jurídicas, Tatiana da Hora. A expectativa é atender cerca de 360 pessoas por mês.

O local ganhou ainda acessibilidade universal, climatização e instalação de infraestrutura de tecnologia. O Teatro Nossa Senhora do Carmo, com capacidade para 300 pessoas, vai atender eventos da instituição e espetáculos abertos ao público. Também houve a preocupação com as obras de arte que o local abriga. “As antigas imagens sacras em estuque foram restauradas para retornarem aos nichos do salão do auditório, assim como um antigo crucifixo que foi restaurado para ser instalado em um nicho específico localizado no pátio coberto”, afirma o arquiteto Ezio Deda, responsável pela reforma. Foi criado ainda um “Jardim dos Artistas”, com uma pintura religiosa em cerâmica que foi preservada, entre outras peças de arte.

“O conceito do projeto desenvolvido buscou se apropriar de elementos identitários de valorização da cultura local, notadamente perceptíveis nas peças de artesanato, obras de arte de artistas locais e painéis em homenagem a marcantes personalidades pernambucanas”, diz Ezio. O local traz biografia, fotos e reprodução das principais obras de Abelardo da Hora, Romero Britto, Ariano Suassuna, Tobias Barreto, Manuel Bandeira, João Cabral de Melo Neto, Joaquim Nabuco e Francisco Brennand – com direito a uma versão de aproximadamente dois metros feita pelo próprio artista da famosa escultura Coluna de Cristal, que fica no Recife Antigo.

Sobre o prédio - O prédio onde vai funcionar o curso de Direito da Facipe foi construído em construído em 1919 para sediar o Colégio Nossa Senhora do Carmo, mantido pela Congregação Beneditina. Considerado um Imóvel Especial de Preservação – IEP, ele não pode ser demolido ou descaracterizado. A fachada da edificação se destaca no conjunto arquitetônico da Rua Barão de São Borja, principalmente pela imponência do gabarito de altura e disposição de grandes vãos de janelas emolduradas por estruturas de lajes nas bordas inferior e superior – característica marcante do estilo Art Déco.

“É um prédio que possui relações afetivas com a cidade do Recife porque formou gerações”, afirma o arquiteto Ezio Deda. “A beleza do conjunto é demarcada pela imponência, simetria, lajes em avanço compondo marquises que protegem as esquadrias, e um adro central com pé direito alto que é o pórtico de acesso principal”. O processo demorou um ano para ser concluído, para que não fossem alteradas as características arquitetônicas da edificação. “Verificamos problemas ocasionados por adaptações sucessivas de instalações elétricas expostas, tubulações aparentes para solucionar demandas hidrossanitárias, infiltrações, algumas reformas e intervenções mal sucedidas, além do desgaste natural ocasionado pelas intempéries”, conta Deda, “mas todos esses problemas foram sanados”.